Robinho: 'O Neymar enganou até a mim'
Sem medo de ficar fora da Copa, atacante comenta lance mais polêmico do clássico contra o são Paulo e revela detalhes de seu retorno à Vila Belmiro
Adilson Barros
, São Paulo
Um suposto receio de ficar fora da Copa do Mundo não foi o motivo
pelo qual Robinho aceitou voltar ao Santos no início
de 2010. Ansioso pela convocação do técnico Dunga para o
amistoso da seleção
brasileira contra a Irlanda, que será divulgada nesta
terça-feira, às 11h (de Brasília), na sede da CBF, no Rio de
Janeiro, o Rei das Pedaladas, que estava relegado à reserva no
Manchester City, revelou, no programa "Bem, Amigos",
do SporTV, nesta segunda-feira, que retornou ao Brasil para
adquirir ritmo de jogo e estar preparado para a competição na
África do Sul. Mas a seleção não foi o único assunto da noite.
Como não poderia deixar de ser, o atacante, que marcou um golaço
de letra na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, no domingo,
admitiu também ter sido pego de surpresa pela polêmica cobrança
de pênalti de Neymar - que teve direito a uma exagerada
paradinha e gerou reclamação dos tricolores.
- Acho que o Rogério Ceni não esperava mesmo. O Neymar foi muito
bem na paradinha. Acho que é válido. É complicado. Claro que eu
nao sou goleiro, mas o Neymar enganou até a mim - disse.
O atacante, que revelou ter sido aconselhado pelo próprio Dunga a
"buscar a felicidade", garantiu não ter optado pelo
retorno ao clube em que foi revelado por temer ficar fora do
grupo que disputará o Mundial.
- Eu não voltei por medo de ficar fora (da Copa). Assinei com o
Santos para poder jogar, adquirir ritmo. Meu medo era chegar à
Copa sem estar na condição ideal - explicou, em conversa com o
GLOBOESPORTE.COM antes de sua participação no programa.
A segurança de Robinho sobre sua presença no Mundial se
justifica. Desde a Copa América de 2007, quando assumiu a
responsabilidade de ser a estrela da seleção que acabaria
conquistando o título (Kaká e Ronaldinho Gaúcho se recusaram a
participar da competição realizada na Venezuela), o jogador caiu
nas graças de Dunga. Acabou virando um homem de confiança do
treinador. O que o jogador quer dizer quando fala em apreensão é
sobre sua condição física e técnica.
O jogo contra a seleção irlandesa, dia 2 de março, em Londres, é
o último antes da estreia do Brasil no Mundial, dia 15 de junho,
contra a Coreia do Norte.
- Com certeza vai ser uma convocação importante. É
a última antes da Copa. Então, muita coisa vai ser decidida.
Acredito que o grupo está praticamente definido. Claro que tem
uma ansiedade, mas estou confiante - afirmou.
Durante o programa, Robinho explicou como aconteceu a negociação
para que o City o liberasse para retornar ao Peixe, e revelou a
conversa com o técnico Roberto Mancini, que não pretendia usá-lo
como titular na temporada.
- Os diretores do Santos sempre ligavam e falavam com o meu pai.
Quando eu jogava mal, eles já ligavam (risos). Estavam atentos.
Eu fui falar com o treinador (Roberto Mancini, do Manchester
City) e ele foi sincero e disse: "Vou fazer essas rotações,
você não vai ser titular do meu time”. Eu também fui sincero e
disse que para mim isso não servia, pois estou prestes a
disputar uma Copa do Mundo e preciso de ritmo de jogo. Então,
ele disse que não me causaria problemas. Tem muito treinador que
não coloca o cara para jogar, mas não o deixa ir embora. Para
mim isso seria prejudicial.
Robinho deixou o Santos aos 21 anos, rumo ao Real Madrid.
Perguntado sobre que conselhos daria aos novos “meninos da
Vila”, Neymar e Ganso, o atacante sugeriu cautela.
- Já conversei com eles. Acho que precisam ter calma. A Europa
para eles é uma coisa normal. Eles não têm que ter pressa para
sair. Muita gente vê a Europa e acha que são mil maravilhas, por
conta da Liga dos Campeões, do marketing, da estrutura. Mas nao
é tão fácil assim. Você vai ganhar bem, ter mais segurança de
vida, mas tem o lado ruim, que é estar em um país diferente, com
outro idioma, em um time que de repente não está tão bem
entrosado. No meu time (Manchester City), eu jogava quase de
quarto homem de meio-campo, de volante, lá atrás, e tinha que me
virar. Também tem que dar sorte de cair em um time bom, com
pessoas para te ajudar. Tem que ter tranquilidade.
Sem se esquivar de perguntas mais polêmicas, Robinho mostrou que
não tem dúvidas quando a questão é a presença de Ronaldo na seleção.
- Eu convocaria porque ele é meu ídolo. Ele é o Fenômeno, meu
professor. Ele é uma estrela de grupo. Se chegar na seleção, vai
ser acolhido por todo mundo.
Nem mesmo sua conturbada saída do Real Madrid, de onde se
transferiu para o Manchester City, foi assunto evitado pelo
craque santista, que demonstrou arrependimento, mas explicou a
situação, que na época envolvia o interesse na contratação do
português Cristiano Ronaldo.
- A minha relação não era legal com os dirigentes do Real Madrid.
Eu errei ao sair daquela maneira. Eu sei que eu tinha razão, mas
para o clube não é bom. O torcedor paga ingresso, às vezes deixa
de comer para nos ver jogar e nunca vai entender esse lado. Ele
é Real Madrid, independentemente de eu estar certo ou errado.
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